O Fabuloso Fim de Jack Unknoweddington
Victor Godoi Castro






20/07/2006 00:45
meaningless and empty words

O aperfeiçoamento das formas comunicacionais, dentre elas a palavra foi fundamental para o desenvolvimento dos homens enquanto seres sociais. A palavra falada permitiu, por exemplo, que nossos ancestrais pudessem exercer de forma mais eficiente seu poder, dando ordens oralmente sem precisar distribuir sopapos o tempo todo. Também deve ter ficado mais fácil atribuir sua propriedade sobre as coisas, berrando: “Isso é meu!”, e contanto com que o outro não respondesse: “Desde quando?”, o que poderia criar um impasse meio complicado de se resolver, já que ainda não havia cartórios na época. Enfim, a objetivação dos mundos natural e social através da palavra possibilitou a criação do mundo como o conhecemos.
A coisa muda um pouco de figura quando tratamos a palavra pelo seu conteúdo subjetivo. A objetivação de coisas abstratas como “Deus”, “dor”, “amor” através de palavras que a representem é eficaz? Será mesmo possível expressar o que se passa em seu interior através dessas palavras? Muitas vezes, é difícil construir essas representações mesmo em pensamento, já que pensamos “oralmente”, em um diálogo entre o nosso “eu interior” e o nosso “eu racional”, que tenta traduzir, através das palavras que conhecemos, nosso “eu interior”. Particularmente, sinto imensa dificuldade nesse processo de racionalização interior de sentimentos. Há um desconforto constante que não sabe se expressar de forma alguma, e que resulta em constantes irritações, crises de melancolia e consumo excessivo de cafeína.
“Eu te amo”.Três pequenos sons que podem representar tanto, ou nada. Pense em uma pessoa querida, uma pessoa a quem possa dizer que ama. Agora pense, por exemplo, em sorvete (e suponha que você goste muito de sorvete). Você pode dizer que ama sorvete. Teria isso a mesma profundidade que no primeiro caso? Espero que não. É nesse sentido (apesar do exemplo ter sido muito tosco) que as palavras parecem ser tão limitadas. Muitas vezes, o que você sente pela pessoa, ou pelo sorvete, é algo que não consegue ser racionalizado, e acaba, por fim, sendo simplificado pelo verbo “amar”.
O uso da palavra escrita piora muito as coisas. A partir de então, além de as palavras usadas poderem não representar o que realmente se sente (pela própria estrutura limitada da mente humana, criadora das palavras), corre-se o risco de que a pessoa que escreve não tenha um bom domínio da palavra escrita, tornando o texto de difícil compreensão, além da interpretação do texto estar submetida à subjetividade de quem o lê. Isso pode fazer com que todo o trabalho que tive até agora escrevendo este texto tenha sido em vão!
É por essas e outras que prefiro, muitas vezes, ficar calado. Palavras enganam muito. Palavras são insuficientes. Palavras são, ironicamente, inexpressivas. Inexpressivas e vazias.

Victor Godoi Castro | comentários(7 )



14/06/2006 00:15
Irrealidade

Peguei e minha Superinteressante de Junho. De trás pra frente, como costumo folhear. De repente, tudo me pareceu tão irreal! Ultratecnologia, Enciclopédia Veja (?), Jogos de computadores, Dead Bodies Everywhere! A precariedade do comércio portuário em Manaus, os russos mandando sondas para o espaço nos anos 60 e 70, e a TV chegou no Butão apenas em 1998! O crime organizado mandando na maior e mais rica cidade do país, patricinhas da Capricho... Dead Bodies Everywhere! Organização, ou seita medieval ainda atuante, Copa do Mundo, copa do mundo, copa do mundo... Dead Bodies Everywhere! Percentual de gordura corporal, sexo, buracos negros, pseudociência inútil... Dead Bodies Everywhere!
O mundo tem me parecido extremamente irreal ultimamente. Tudo tem parecido isento de qualquer motivo lógico. A vida na Universidade, embora me agrade, me parece vazia em alguns momentos. Penso no mundo como nós o conhecemos. Construção social da realidade, é como chamamos isso. Sociedade. É engraçado pensar na nossa sociedade cristã-judaico-ocidental. Construímos nossa realidade através de visões de mundo às vezes com 3 mil anos. E é realmente engraçado como nos imaginas superiores em nossa “modernidade”. É patético como nos imaginamos donos da visão de mundo verdadeira, sendo que, na maioria das vezes, nos apoiamos em um sistema religioso construído a partir de mentiras. Afinal, o cristianismo, a despeito da fantástica idéia original, se tornou um instrumento de poder que apenas mudou de mãos na famosa “Reforma” protestante. Mas não quero partir (novamente) para o campo religioso. A questão é como construímos nossa visão de mundo. E então? Como? Eu não sei! Não saberia, e, se soubesse, não sei se revelaria assim. A questão é que quero que seja uma coisa na qual pensemos de vez em quando: O que faz do mundo que eu conheço o mundo que conheço? O que faz com que eu o entenda assim? O que faz com que eu busque responder isso? Realmente não tenho conseguido me desvencilhar dessas questões. Talvez seja esse o motivo da minha apatia complementada (disfarçada?) por gripe-barra-febre-barra-tosse-barra-sinusite.
Quando estava no inferno do Ensino Médio, havia dias em que eu queria sumir de qualquer jeito. Aquilo realmente não era vida. E eu não ajudava em nada para melhorar. Enfim, me lembro que, muitas vezes eu pensava no que estaria acontecendo num trecho do oceano, no meio do nada, no exato momento em que tentavam fazer com que eu assimilasse química orgânica ou qualquer coisa parecida. Então eu imaginava golfinhos piruentando no mar, ou uma bonita baleia azul, com sua cauda descomunal derramando água para todos os lados. E às vezes eu pensava também em um camponês da minha idade em qualquer confim do mundo desses. E ele sempre me parecia mais feliz, sem tantas coisas inúteis para saber, como o nome dos álcoois ou alcanóides, ou qualquer quel parecida. E isso me faz pensar no Butão. A TV chegou lá em 1998, quando transmitiram a final da Copa (novamente a maldita Copa). Apenas em 1999 iniciou-se uma programação nacional. Depois vieram a CNN e a MTV e afins. Segundo a Super, os fazendeiros butaneses milenarmente alimentavam seu gado com maconha. Com a chegada da TV os pastores jovens começaram a fumar a erva e o rendimento do trabalho foi pras cucuias. Então o governo baniu a MTV. Que bosta. E os russos estavam mandando sondas pro espaço nas décadas de 60 e 70, enquanto os jovens do Ocidente enchiam o rabo de maconha. Tou falando, esse mundo é muito irreal. Ficção científica pura!
Dead Bodies Everywhere!

Victor Godoi Castro | comentários(16 )



28/01/2006 01:25
Baseado em Fatos Reais

Há momentos em nossas vidas em que perdemos o ânimo, a esperança e qualquer probabilidade de ser feliz parece irreal. É nesses momentos que o nosso anjo da guarda arranja os modos mais inusitados para falar conosco.
- Você deve estar pensando que o mundo vai acabar, né? foi sua primeira fala. Eu me assustei, pois, estava sentado sob uma árvore, exatamente pensando na vida, quando fora interrompido - providencialmente - pelo anjo-segurança.
- Acho que dentro de uns dez anos, respondi; mas pelo menos vai dar pra eu me formar antes.
- Você faz que curso?
- Jornalismo.
- Deix'eu ver... você sonha em trabalhar na Globo.?.
- Ah, nem...
- Que bom! Acho que muitos querem, né?
- Não é o que eu quero pra mim. Na verdade, pensei talvez em trabalhar na National Geographic, tipo, viajar o mundo e tirar fotos.
- Legal. Você é calouro?
- Sou; pensei: tá tão na cara?
- Acho que vai dar pra você formar antes do fim do mundo, sim.
- Tomara.
Então, ele falou sobre como a ganância do homem, dos automóveis movidos a petróleo que levariam à nossa destruição, sobre como existem soluções mas não são praticadas...
- O problema; continuou; é que não dá pra convencer todo mundo a usar os carros de energia limpa, por causa dos gigantes do petróleo.
- Acho que foi mais ou menos por isso que quero ser jornalista. Para tentar mostrar às pessoas como elas estão erradas em muitas coisas. Só que antes, eu queria mudar o mundo. Hoje, me contentaria em mudar poucas pessoas ao meu redor...
- Você consegue, sim.
- Tomara mesmo.
- As árvores são boas companheiras,; disse, olhando para a grande árvore sob a qual estávamos; está na Bíblia, né? O Monte das Oliveiras. E Buda também estava debaixo de uma árvore quando obteve a iluminação. Hum... era uma figueira? ou foi Jesus que ficou debaixo da figueira?
- Não sei... mas acho que com Jesus era a oliveira e com Buda a figueira...
- Poizé... acho que é isso mesmo. Parece que Maomé também teve uma árvore...
- Tem uma frase de um autor indiano, não lembro o nome, que diz assim: as árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e transformamos em papel para registrar todo o nosso vazio.
Ele repetiu toda a frase, pensativo.
- É verdade, e muita árvore é derrubada pra fazer papel... se bem que muito é eucalipto, né?
E saiu, me deixando só com a árvore, e com minhas esperanças recuperadas.

Victor Godoi Castro | comentários(12 )



29/11/2005 01:49
Bodas de Prata

Bem, a princípio eu ia falar sobre as Bodas de Prata dos meus pais. Mas, sinceramente, não saberia o que falar sobre esses 25 anos. Porque, mesmo estando presente neste casamento nos últimos 19 anos, a vida de casal é, na verdade, compreendida apenas pelo próprio casal. Achei melhor, então falar das lições que, juntos, meus pais me deram para a vida toda.
Aprendi, por exemplo, que ninguém é perfeito. E, por isso, devemos amar as pessoas não só a despeito dos seus defeitos, mas, sobretudo, respeitando-os.
Aprendi que a vida não deve ser levada absolutamente a sério. Que um sorriso num dia cinzento pode fazer milagres. Que rir dos nossos problemas nos faz mais fortes para enfrenta-los.
Aprendi que confiança é tudo. Que confiar nas pessoas, embora arriscado, é o melhor jeito de manter o coração tranquilo. E que a honestidade é o maior bem que um homem pode possuir.
Aprendi que a verdade dos pais não é inquestionável. Que os pais são tão humanos quanto os filhos, sujeitos aos mesmos erros e falhas.
Aprendi que não é impondo nossa vontade que teremos o que desejamos. É preciso sempre conversar.
Aprendi que educação e cultura são mesmo as maiores heranças que se pode deixar. Que o diálogo é melhor que qualquer punição.
Descobri, enfim, entre acertos e erros, que tipo de pai quero ser.

Mensagem que escrevi para as Bodas de Prata dos meus pais. Tive que ler pra todo mundo, que vergonha ^^!

Victor Godoi Castro | comentários(4 )



26/11/2005 01:21
MUdança

embalou as taças verdes em jornal
tirou os esqueletos do armário
varreu o monstro de debaixo da cama
encaixotou todos os livros e os filmes de terror
a sopeira, presente da tia estranha
os bombonieres
o bicho-papão de dentro do guarda-roupa
as arainhas dos cantos da parede
as mandrágoras do jardim
as cinzas da mamãe
tudo devidamente embalado

mudança é fogo!
Victor Godoi Castro | comentários(1 )



16/11/2005 00:28
Coma White

De repente tudo ficou branco. Uma brancura luminosa digna de propaganda de sabão em pó. Nada passava em sua mente. Nada mesmo. Só conseguia ver o branco. Pensar no branco. Ser branco.
De repente, não precisava mais fingir que era feliz. Não precisava cumprimentar a vizinha que detestava, e nem sorrir para o parente que desprezava. Não precisava mais sentir dor, nem nada. Não é que não precisasse. Não poderia, não conseguiria. Agora tudo era branco.
Nada do vermelho da vergonha, do ódio e do amor. Nada de sorrisos amarelos. Não cantariam passarinhos verdes, não há nem mesmo um brilhante e azul céu. Tudo estava branco.
Medo, angústia, timidez, arrependimento... foram embora. Seu único sentimento era o Branco. Podia vê-lo como uma coisa concreta. Envolvia e acalentava. Protegia contra as dores do mundo, contra as próprias dores.
Tudo era Branco. Estava em coma. Estava feliz.

Victor Godoi Castro | comentários(7 )



11/11/2005 00:41
Pré-conceitos

Em Julho deste ano fui passar uns dias em Ouro Preto. Enquanto o ônibus sacudia pelas estradas em meio às montanhas, eu observava as estrelas e pensava em um milhão de coisas. A maioria das coisas que eu pensava estavam relacionadas a famílias, seus problemas e possíveis soluções. Foi então que eu percebi o quanto tudo estava repleto de pequenos conceitos pré-estabelecidos. Os preconceitos.
Não só os preconceitos ‘maiores’ – étnico, religioso, sexual e etc. Mas principalmente os pequenos pré-conceitos que estabelecemos ao longo da vida. Regras estúpidas de como as pessoas devem ou não se comportar e levar as suas vidas.
No meu raciocínio, estava priorizando situações familiares ou que cercam as famílias mais tradicionalistas. Como estas reagem quando os conceitos por elas possuídos são jogados por terra por seus vizinhos, conhecidos ou mesmo parentes mais ‘liberais’. Devo confessar que estava, em pensamento, acusando minha família – no âmbito maior de avós, tios e tal – que é irritantemente tradicionalista em muitos aspectos. Existe, dentro da família, todo um conjunto de comportamentos que já vêm estabelecidos dentro das chamadas ‘tradições de família’. E qualquer pessoa que aja em desacordo com esses padrões poderá ser duramente repreendida. Ou, talvez pior, seja vítima de comentários ocultos (fofocas mesmo), sendo recriminada pelas costas, sem nem ao menos saber. O que me surpreendeu, com grande desconforto, é como as gerações mais novas reproduzem isto. Ou, como pessoas que já quebraram as regras se ‘regeneram’, tornando-se insuportavelmente ‘certinhas’.
Mas acho que já estou saindo do que eu queria mesmo escrever. Onde os preconceitos entram nessa história? Aqui mesmo. Encontrei um grande retrocesso na formação das pessoas. As crianças, como é comumente dito, não possuem preconceitos. Esses preconceitos é que vão sendo gradualmente ensinados pela vida em sociedade. Então, pela lógica, quando fossem jovens, as pessoas estariam repletas de preconceito. Seriam intolerantes com os desvios de conduta. Mas o que se vê é o contrário. Na maioria das vezes, as pessoas possuem, durante a juventude, um espírito de liberdade e ruptura que anula grande parte dos preconceitos e joga os pré-conceitos do dia-a-dia por terra. Deveriam tornar-se, então adultos livres de preconceitos. É aí que ocorre o retrocesso. Ao envelhecer, as pessoas retomam velhos preconceitos e pré-conceitos, tornando-se intolerantes quando deveriam ser mais compreensíveis.
A lógica que eu ousadamente sugiro é que as pessoas deveriam ser, no início da juventude, mais preconceituosas que no fim. A experiência de vida mostraria a elas a fragilidade de muitas de suas regras pré-estabelecidas. Assim, tornar-se-iam adultos mais tolerantes e capazes de ver o mundo como ele realmente o é. Ver que o mundo real não é regido pelas regras tradicionalistas com as quais foram criados.
Bem, é essa a proposta que eu me fiz a partir daquele dia. Despir-me gradualmente de todos esses pré-conceitos que me foram passados. Não é uma tarefa muito simples. Muitas vezes eu me surpreendo, pensando em algo com o qual não concorde (contrapensar-se é muito decepcionante). Acho que se trata, principalmente, de um trabalho de observação dos pensamentos. De auto-policiamento. Não sei no que isso vai dar, mas estou pagando pra ver.
Victor Godoi Castro | comentários(4 )



06/11/2005 01:23
Blá-blá-blá
É verdade, tem muito tempo que não escrevo. E é verdade também que sinto falta de escrever, sinto um vazio no estômago ao pensar que deixei Jack ao léu durante esse (três semanas? quatro semanas?) tempo. Mas acontece que estive durante quase uma semana em Juiz de Fora, aproveitando excelentemente o Encontro Regional de Comunicação (que não é ERECOM) e, quando voltei para casa, fui tomado de um desânimo e de um mau-humor terrível. Além de tudo, o texto que eu escrevi durante a madrugada para o Dia das Bruxas foi sumariamente engolido pelo site, ao dar erro na hora da publicação (e não, este estúpido que vos fala não salvou o texto).
Havia várias coisas sobre as quais eu gostaria de escrever. Li muito nesses dias pra trás (tá bom, nem tanto assim), e vocês já devem ter reparado que costumo comentar aqui no Jack as coisas que acho interessantes nos livros que leio. Também tenho estado muito surpreso (nem tanto surpreso, mas bem irritado) com coisas que tenho lido na Internet.
Como um exemplo, eu estava lendo ontem o site da ONG 'Mensagem Subliminar', e detestei. É verdade que achei algumas coisas interessantes e relevantes, mas na minha opinião, a maior parte das mensagens ditas subliminares eram na verdade mensagens explícitas, e o texto parecia ser escrito por um (me perdoem a expressão um tanto pejorativa) crente. Se eu disser que não tenho nada contra estaria sendo completamente mentiroso. Infelizmente para os dois lados, essas pessoas conseguem me incomodar bastante. Mas não quero discutir isso - pelo menos por enquanto.
Mas, voltando ao site da ONG, ele condenava qualquer obra que mostrasse princípios não-cristãos. A simples presença de uma estrela erea logo relacionada a um pentagrama e em seguida ao satanismo. Extremamente absurdo.
Não preciso dizer que a Disney foi alvo de várias acusações, possuindo inclusive uma página apenas para sua análise (assim também é com a Xuxa, mas não li essa página porque já sabia o que iria encontrar) e condenação. Os desenhos Disney são acusados de divulgarem o American way of life (verdadeiro), e práticas de ocultismo sexo e violência (verdadeiro? falso?). Infelizmente para o leitor, a análise das mensagens subliminares embaralha-se profundamente com a preocupação dos 'estudiosos e professores' da ONG sobre o fato dos desenhos possuírem valores diferentes dos valores cristãos. A maioria dos longa-metragens da Disney analisados é acusado simplesmente por incentivar o interesse das crianças pelo mágico e o fantástico, o que, segundo os analisas da ONG, afasta a criança da realidade e dos valores cristãos.
O site afirma que, além (ou acima) do entretenimento, os desenhos Disney exageram ao "na tentativa de divulgar o ocultismo em forma de magia, feitiçaria, encantos, fadas, gnomos, duendes e bruxas, bem como o homossexualismo". São acusados também de divulgar a Nova Era, de Shirley McLane.
São vários os exemplos, e, sim, pode-se perceber mensagens subliminares (intencionais? acidentais? realmente existentes?), mas citarei apenas alguns e muito por alto, para não escrever páginas e mais páginas.
Branca de Neve e os Sete Anões (1937): o filme é acusado de aproximar a imagem dos anões com a dos gnomos, que são seres do 'oculto'. Só. Ah! É acusado também de ganhar um Oscar e de abrir as portas para a produção de novas animações.
Fantasia (1940): nas palavras do próprio site: "Como em quase todos os seus filmes, a Disney prega o mundo da fantasia. A fantasia é uma ilusão, uma mentira. A Bíblia diz que o pai da mentira é o diabo". Lindo argumento.
Dumbo (1941): possui uma cena em que Dumbo está embriagado e 'metralha' com amendoins os personagens que estavam rindo dele. É acusado de mostrar às crianças que é correto se vingar de uma gozação com violência. Essa até desce um pouco, tá bom.
Bambi (1942): acusado de apologia à homossexualidade, já que o personagem é masculino mas efeminado. A cena em que a mãe de Bambi morre é considerada traumática para as crianças.
Cinderela (1950): a famosa história do gato chamado Lúcifer. A cena em que a Cinderela diz para seu cachorro que Lúcifer possui seu lado bom pode confundir as crianças, fazendo-as crer que Lúcifer (novamente essa alegoria) possui um lado bom. Preocupação de cristãos que acham que Lúcifer, Satanás ou quem quer que seja está sempre à espreita para corromper as crianças.
A Bela Adormecida (1959); A Espada era a Lei (1963); A Bela e a Fera (1991): acusados de promover o fascínio das crianças pelo mágico que, como dito acima, as afasta de 'Deus'.
Robin Hood (1973): uma cena em que Robin Hood se disfarça de cigana e diz: "Silêncio, vou fazer conjuros: Espíritos das densas trevas, vem !", bastou para condena-lo.
Bernardo e Bianca (1977): esse realmente possuía uma mensagem - na verdade uma foto - subliminar, assumidos pela Disney, que recolheu 4 milhões de fitas nos EUA. Trata-se de uma foto de uma mulher nua na janelade um prédio, quando os personagens pousam de um vôo de albatroz. A imagem só é visível ao se pausar a cena. O efeito é verdadeiramente subliminar.
Aladdin (1992): além de possuir dançarinas e uma princesa sensuais demais, há uma mensagem subliminar auditiva. Num momento em que Aladdin vem voando no tapete (não é especificado em qual dos vários momentos em que ele faz isso), ele diz: "GOOD TEENAGERS TAKE OFF YOUR CLOTHES" (Crianças boas e adolescentes, tirem suas roupas).
Entretanto, para mim não há nada que supere as acusações sobre o filme mais amado de todos os tempos...
O Rei Leão (1994): Segundo o site, "A Revista TIME disse que é o vídeo mais sujo, mais perverso e carregado e de satanismo e violência que a Disney jamais produziu, e que as crianças que assistem este filme hoje, serão os próximos assassinos de amanhã". Amedrontador, não? Scar, um dos vilões mais 'posers' da história, é acusado de homossexual (não que não possa ser, ele realmente tem jeito, mas isso nem sempre quer dizer que seja). Sobra até pro seu criador, que perde credibilidade (perante os analistas do site, evidente) por ter sido homossexual e ter morrido de AIDS. Além de biba, Scar canta uma música de Shirley McLane, divulgando a Nova Era ("Chegou Nova Era, a velha já era..."). Rafiki, além de feiticeiro (no tom pejorativo da palavra, por favor) faz alusão à Astrologia, ao dizer a Simba que as estrelas vão guia-lo (???). Mufasa, morto, fala com Simba, no que o site chama de "alusão clara à reencarnação" (Pergunta pertinente: Mufasa não teria que nascer em outro corpo para reencarnar? Esse povo não sabe nem do que está falando). A cena em que Mufasa diz à Simba que os reis do passado o guiariam, é uma descarada alusão à necromancia (?!?!). O fato de a música 'Can you feel the love tonight' ser de EltonJohn, homossexual assumido também pesa no julgamento do filme. É dito também que o filme induziu algumas crianças a pensar que poderiam matar seus pais, mas não é dito como isso teria sido feito. E, na verdade, a única coisa de subliminar que foi realmente mostrada é a formação da palavra 'SEX' em meio às pétalas de flores que se levantam quando Simba, já adulto, cai sobre elas. Na minha análise pessoal, é a única evidência concreta de mensagem subliminar nesse filme. Mas achei bastante grave a acusação da Times de que esse filme produziria os assassinos de amanhã. De um amanhã que já é hoje. Toda uma geração, ou mais de uma (afinal, como se medem as gerações? uma pessoa de 18 e outra de 11 são da mesma geração?) assistiu a esse filme. Somos, então todos potenciais assassinos.
E você, já amolou sua faca hoje?

Para quem quiser ver as imagens e o site: http://www.mensagemsubliminar.com.br/conteudo.php?id=LTc3Nzc=
Victor Godoi Castro | comentários(8 )



20/10/2005 23:44
Esse tal de Referendo



O dia 23 está chegando e, mais do que antes, é preciso se discutir: Votar Não ou Sim à proibição da venda de armas? A princípio minha posição era clara: iria votar Sim, sem nem pestanejar. Mas, como não poderia deixar de ser, pestanejei.
Depois de me informar, sutilmente bombardeado de informações, cheguei à conclusão de que não há motivos suficientemente convincentes para que eu vote no Sim ou no Não. A Veja, por exemplo, exibia em sua capa sensacionalista um berrante '7 motivos para dizer NÃO ao desarmamento'. Apesar de tanto barulho, seus argumentos não foram bons o suficiente. Sim, ela conseguiu me convencer de que a utilização do referendo, neste momento político que o Brasil passa não é lá uma grande idéia, tá bom, é até um grande erro. Mas ainda assim, não votaria Não simplesmente por isso.
Mas, por quê considerar esse referendo um erro? Porque há outras questões que poderiam - deveriam - ser decididas pelo voto popular. Questões como a reforma agrária, legalização ou não da maconha, implantação do imposto único, o aborto, questão das casas de jogos... são pontos cujas decisões teriam reflexos maiores e mais diretos na sociedade. A simples proibição da comercialização de armas e munição não vai acabar com a absurda violência no Brasil.
Uma coisa, entretanto, vem me irritando um tanto: a forma como as campanhas pró e contra proibição vêm sendo conduzidas.
A campanha do NÃO bate na tecla do direito de escolha. Para os defensores desta, é inalienável ao cidadão o direito de comprar a sua arma. Daí utilizaram como exemplo (particularmente, achei ridículo) o fato de que várias ditaduras do mundo tiveram como uma das primeiras ações, a proibição do uso de armas. Do jeito que eles colocam, parece que Lula é o arauto de uma nova ditadura, prestes a dar um golpe de estado a qualquer momento. Embora eu reconheça que realmente é direito de cada um comprar o que bem entender dentro da lei, a defesa do Não faz um estardalhaço. "É uma afronta tentar privar o cidadão do direito de comprar sua arma”. Num país onde grande parte da população sobrevive sem a maioria dos direitos fundamentais do ser humano, não acho que o direito à compra de uma arma faça muita diferença.
A campanha do SIM se diz a favor da vida. Só. A campanha é baseada em relatos de pessoas que perderam alguém vítima de armas mal utilizadas e são a favor do desarmamento, artistas da Globo, números e mais números sobre violência e crimes banais (amplamente desmentidos pela campanha do NÃO, mas não julgo nenhum dos lados isento o suficiente para crer em algum)... ou seja: querem convencer o cidadão de que a vida é mais bacana sem armas de fogo por perto. A ONU também aplaudiu, e disse que é um grande avanço rumo à paz e ao desenvolvimento social. Certo. Eu concordo. Maaaaaaasss...

Por quê votar 3 e anular o seu voto?

Que as pessoas mais engajadas me perdoem, mas esse referendo é realmente uma grande cagada do Governo. Como já disse, essa é uma questão complexa demais para deixar nas mãos da população (alguém poderia dizer: principalmente nas mãos de uma população composta em sua maioria de pessoas ignorantes, mal preparadas, ou simplesmente de boa-fé). Essa é uma questão para ser debatida durante muito tempo, com ajuda de muitos dados (de preferência verídicos) antes de ser aprovada ou não. Esse referendo pode significar duas coisas: ou o nosso Governo é realmente ingênuo e despreparado, para jogar uma bomba dessa em nossas mãos; ou há algum interesse oculto (teoria da conspiração?) por trás disso tudo.
Uma votação deste tipo é anulada se 25% dos fotos forem nulos. Ou seja, todos os esforços do Governo seriam em vão... Mas, peraí!
1) Isso não é a mesma coisa que votar NÃO, já que a venda de armas vai continuar?
2) Não é uma maldade com o Governo também, tadinho, jogar todo o trabalho dele no chão assim?
Respondendo...
1) Não, não é a mesma coisa. Anulando o nosso voto e, se possível, o Referendo, a população irá mostrar ao Governo que espera uma atitude séria daquele povo lá de Brasília, que espera atitude de verdade no combate à violência, e que não é peão no que quer que seja que eles estejam tramando.
2) Sim, é maldade... Mas temos que concordar que o Governo também não está sendo muito bacana com a gente, né?

Vamos mostrar nossa indignação! NÃO À ESCULHAMBAÇÃO!! NO DIA 23, VOTE 3, VOTE NÃO AO REFERENDO!

Observação nada a ver: Vi no Jornal Nacional que um carinha matou outro, mas não pôde ser preso, porquê não se pode prender ninguém sem flagrante às vésperas de uma eleição. É assim que vamos acabar com a violência...

Victor Godoi Castro | comentários(7 )



18/10/2005 23:45
Problema do 'Eu'

Muitas vezes não consigo saber quem sou. Nessas horas, fico inconfortável; o mundo é um lugar terrivelmente mau, que permite que eu me esconda de mim mesmo. Não adianta olhar debaixo da cama, dentro do armário, muito menos debaixo do tapete. O ‘eu’ sumiu – ou nunca nem apareceu. E quando me encontro – ou imagino que o tenha feito – deparo com partes do ‘eu’ que não conhecia e que, muito provavelmente, reprovo. Descubro defeitos que estavam escondidos – ou esquecidos – debaixo de camadas e mais camadas de ‘eu’ conhecido.
São atitudes das quais não me orgulho, frases que digo sem pensar – para constrangimento próprio e dos outros - , pensamentos que abomino, mas estão lá; são meus. Quando isso acontece me sinto traído. Não tanto por não me conhecer, mas por agir/falar/pensar de forma que não concordo – e até me envergonho.
Mas, alguém sabe, mesmo, quem é? Quando nos perguntam quem somos, geralmente damos informações como: nome, idade, nome dos pais, de onde somos, o que fazemos. Mas isso é que nos faz nós mesmos? Dados? Somos uma ficha de dados, mais ou menos organizados? Afinal, somos animal social, etês, filhos de Deus... um corpo animal com um super cérebro ou criação de uma inteligência superior?
Nietzsche, no livro ‘Assim Falava Zaratustra’, fala sobre essa questão do ‘Eu’. Através do personagem Zaratustra, ele diz que quando nos referimos a nós, nos referimos a uma inteligência alheia ao corpo, como se não fizéssemos parte do corpo e fossemos, sim seu proprietário. Mas, para o autor, não existe uma inteligência alheia ao corpo. Na verdade, não existiria o ‘Eu’ que supomos ser, e sim o ‘Em si’, que é o nosso corpo, dotado da inteligência como um instrumento, ou órgão do corpo. Pensando dessa maneira, não seria o corpo o instrumento da inteligência (ou alma, ou espírito), e sim o contrário. A nossa consciência seria mais um dos instrumentos do corpo, um brinquedo nas mãos do ‘Em si’, que é o verdadeiro corpo, a verdadeira pessoa, a despeito do que ela chama de ‘Eu’.
Analisando isso, podemos nos lembrar de nossos instintos, da nossa inconsciência, que muitas vezes age em desacordo com o que o nosso ‘Eu’ quer. Esta é na verdade uma teoria muito interessante. O corpo estaria interessado em sobreviver e procriar. Para que não vivêssemos como animais, ele nos daria uma consciência e deixaria que pensássemos estar no controle... até o momento em que, surpreendentemente, os instintos agem.
É assim que agimos em desacordo com o nosso ‘Eu’ e começamos a pensar o quanto não nos conhecemos...

Victor Godoi Castro | comentários(6 )

Jack Unknoweddington

Alter-ego: Victor Godoi Castro
Cidade: Halloween Town

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